22 de out de 2012

La Zingarah


Hoje, tenho uma historinha para contar: 
Um dia, perguntei aqui se alguém se lembrava do Blog “La Zingarah”, pois eu gostaria de saber do paradeiro de sua dona, cujo pseudônimo era o próprio nome do Blog, “La Zingarah” e que escrevia divinamente, mas que um dia, de repente, não mais que de repente, havia desaparecido. 
Algumas pessoas se lembraram, mas ninguém sabia de seu paradeiro. Qual não foi minha surpresa, quando tempos depois, recebi um e-mail da própria, dizendo que havia localizado meu post por acaso e estava surpresa com tudo que leu... Sabemos que nada acontece por acaso e, desde então, nasceu uma amizade maravilhosa entre nós. Eu a conheci pessoalmente e vivo desfrutando de sua sabedoria. Tenho aprendido muito com ela. Márcia (seu nome verdadeiro), que tem uma filosofia de vida muito semelhante à minha, é uma pessoa maravilhosa, assim como as coisas que escreve. Identifico-me muito com seus escritos. Semana passada, ela me enviou algo que descreveu exatamente o meu estado de espírito:




“Vontade de sair andando na manhã... caminhar sem pressa, o mar de um lado e a terra do outro, até que não haja mais mar e nem haja mais terra, até que não haja mais “eu”... só o grito das gaivotas e o ar salgado brincando com a espuma branca na areia... até que o tempo se dissolva na palma da mão e o silêncio seja o zumbido das abelhas. Vontade de um sol que acaricie as coisas e uma chuva mansa que faça abrir as sementes do que tem que ser.Vontade de ir, sem pensar em voltar. Vontade de chegar naquilo que me espera, balizas de luz na barra do porto em noite de temporal. Vontade das palavras certas. Faz tanto tempo, que quase esqueci o rumo de mim. É essa manhã, que me chama a caminhar, e me acena com mãos suaves que mal posso segurar. Mal posso me segurar, meu lugar é lugar nenhum, é o lugar onde todas as coisas repousam no coração.”

La Zingarah

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4 de out de 2012

Comemorando...



“E quando ouvi tua voz ao telefone dizendo “cheguei!”, esqueci-me de todas as promessas que fiz a mim, ao mundo e a ti, esqueci todas aquelas de não te querer mais. Uma simples palavra “cheguei!” fez-me correr ao teu encontro e, mais uma vez, prometer que, na próxima vez, não te perdoarei... exatamente assim, como sempre digo. Um champanhe a umedecer sussurros entrecortados, onde fiz dos teus lábios minha taça e dos meus fizeste a tua. Lábios úmidos, famintos e indecisos entre a vontade de dizer e a urgência de sentir, braços em laços que teimavam em virar nó, na ânsia de abafar aquela saudade mortífera que nos assolava e, nessa dança de amantes, inventando ritmos no vai e vem contínuo, atravessamos espaços e mundos para, em êxtase e exaustos, adormecermos como se fôssemos apenas um ser, que é o que somos em alma, e não sentirmos o dia amanhecer. Vieram os primeiros raios de sol para nos lembrar que hoje ainda teríamos um dia todo juntos e uma data especial para comemorar...”

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11 de set de 2012

Faixa de pedestre


Fiquei muito feliz quando foi instituída em São Paulo, a obrigatoriedade de respeitar a faixa de pedestres, ou seja: pedestre sempre tem prioridade quando pisa na faixa. Após algum tempo da lei estar em vigor, percebo uma dificuldade: não sei se é mais difícil o motorista aprender a respeitar o pedestre na faixa, ou se é o pedestre se acostumar a usar o seu direito de prioridade ao atravessar.

Às vezes, paro o carro antes da faixa quando vejo o pedestre, mas alguns deles não atravessam nem a pau se eu não fizer um sinal com a mão para eles, mesmo que o carro já esteja parado. Outros até fazem sinal para o carro passar antes deles. Preferem esperar.

Há, também, como não poderia faltar (afinal, isto é Brasil...rs) os engraçadinhos. Outro dia vi um homem chegar na beira da calçada, colocar um pé na faixa, estendem a mão, o motorista à minha frente parou o carro, ele arrumou a manga da blusa, virou-se para trás, sobiu na calçada de novo e foi embora. Juro que vi isso acontecer! Deu vontade de subir na calçada e atropelar o “fulano” (para não dizer outra coisa...rs).

Também tem o caso daqueles motoristas que ficam buzinando atrás da mim quando paro o carro antes da faixa para deixar o pedestre passar. Dá vontade de descer do carro e ir mostrar a lei do trânsito para ele. E nessa hora nunca tem um guarda por perto!

De qualquer forma, quando estou dirigindo, sempre paro na faixa e, quando sou pedestre, faço questão de usar o meu direito de atravessar.


Sueli Benko

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12 de ago de 2012

De repente... não mais que de repente



Tem dia que a saudade vem com tudo na vida da gente.
E povoa com recordações insanas a nossa mente.
E nos invade com um desejo doce, mas indecente
Tudo de repente... não mais que de repente.

Então, nesse pico de emoção ardente,
ouve-se o sinal do telefone que,
anunciando a presença do homem amado,
prova que a sintonia ainda existe.
Assim, de repente... não mais que de repente.

(E isso já teria bastado para a saudade dar trégua,
já teria sido suficiente...)


(Sueli Benko)

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26 de jul de 2012

A distância que aproxima


Às vezes, a vida prega-me peças 
e, tentando entendê-la, aqui fico eu.
Insiste em fazer-me amar-te tanto
e em juntar meu destino ao teu.
Mas, quanto mais te tenho, mais longe te sinto.
E quando menos te tenho, mais te sinto meu.
E é por essas e outras e por querer-te tanto,
que desisti de ter-te, grande amor meu.

(entenda...)

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Sueli Benko

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9 de jul de 2012

Provei meu amor por mim...



Provei meu amor por mim no momento em que descobri uma grande besteira que fiz e não fiquei contra mim e nem me arrependi. Entendi que não sou, não poderia e nem pretendo ser perfeita. Quando me percebi quase ficando triste e envergonhada, levantei meu ânimo e mandei tudo às favas. Eu estava do meu lado e pronta para enfrentar qualquer consequência. Então, eu senti que me amava e esse amor deu-me toda força que eu precisava. 

(Sueli Benko)

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8 de jul de 2012

A outra que habita em mim


Há uma outra que habita em mim e, quando resolve aparecer, 
o capeta se esconde! 
Quando se vai, resta-me ficar recolhendo cacos e, muitas vezes, 
tentando reconstruir coisas de construção tão difícil. 
Com nada se importa, nem nada teme. 
Diz o que quer, faz o que tem vontade, 
enfrenta, decide, ama, fere, diverte-se... 
Sem medo, sem dúvidas, sem pudor. 
Eu a desconheço, mas ela me domina, 
eu a repudio e ela me desmente, 
eu a evito e ela me ignora.
Há uma outra dentro de mim, 
que, "às vezes", é mais eu do que eu mesma.
E, "às vezes", 
eu a invejo.

Sueli Benko

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5 de jul de 2012

Homenagem ao Corinthians

Essa crônica foi escrita por uma pessoa que aprendi a amar com muita facilidade.
Uma amiga que chegou das Minas Gerais, apaixonada pelo Cruzeiro, mas que aprendeu a também ter uma grande simpatia pelo Corinthians, pois sentiu a vibração dessa torcida maravilhosa. Sou Corinthiano roxa, todos os meus amigos sabem disso, e eu estava para escrever uma homenagem ao meu Timão pela vitória de ontem, quando li o texto que Sandrinha escreveu.
Não... nada poderia ser mais lindo. Eu não saberia escolher tão bem as palavras. Emocionei-me muito! Não pedi a ela, mas tomei a liberdade de copiar o texto aqui, abaixo:




"Hoje um sonho se realiza...
Não o sonho de um time, mas o sonho de uma taça, de um campeonato...
Desde que foi criada ela espera, passando por outras mãos, 
sendo entregue a outros a quem que ela não pertencia.
E paciente sempre esperou...
Nunca se viu tamanha quietude, 
nunca se viu profunda espera.
Hoje ela brilha mais nitidamente, diria, 
que ofuscante, de tanta felicidade.
Qual noiva sendo levada ao altar 
para ser entregue ao homem que ama.
Valeu a espera, valeram os anos em que foi colocada 
onde não deveria estar...
Foi de alguns, foi de muitos, trouxe sorrisos, festas, comemorações...
Fez corações explodirem, sorrisos invadirem rostos e olhares, 
fez muitos chorarem, vibrarem, torcerem...
Se extasiarem num gozo infinito de felicidade.
Foi beijada por muitos, desejada por outros tantos...
mas manteve-se integra na sua espera. 
Porém, nunca brilhou tanto como nessa noite, 
nunca ofuscou tantos olhares como hoje...
Nunca tantas lágrimas foram derramados por ela, 
nunca se cantou em tão alto som...
Nunca!
Ela parece sorrir ...
Como se um deus estivesse soprado sobre ela, a vida...
Sim, essa taça hoje ganhou vida...
Ela sorri, findou-se a espera!
Hoje realizou-se o seu mais profundo desejo... 
O Corinthians é dela...
Não foi o Corinthians que almejou a libertadores, 
não foi o Corinthians que quis ter essa taça nas mãos,
mas a Libertadores que desejou o Corinthians. 
Esta taça quis ser acolhida pelas mãos desses guerreiros
Nunca um campeonato almejou tanto um time 
como a Libertadores almejou o Corinthians!
Hoje, ela se dobra ao seu time guerreiro, 
Hoje, esse campeonato que tem vários nomes 
gravados em seu pedestal, 
recebe o único nome que sempre a mereceu: 
Corinthians...
Que venham todos e se curvem a ele, 
que se curvem em respeito ao único 
que não correu atrás dessa taça, 
mas que foi desejado por ela...
E novamente eu repito...
O Corinthians não almejou a Libertadores, 
mas a Libertadores almejou, desejou o Corinthians!
Hoje, esse casamento se realiza, 
tendo como testemunha milhões de guerreiros 
que cantam em uma só voz...
Aqui tem um bando de loucos, loucos por ti Corinthians!!!"

Sandra Botelho

26 de jun de 2012

Já é inverno



O outono veio tão quieto e se foi tão rápido.
Os ventos levaram tudo que viram pela frente
e eu nem percebi.
Já é inverno.

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17 de jun de 2012

Minha Casa



Minha casa é como um palco, ora iluminado, ora não. Nela, muitos espetáculos já estiveram em cartaz. Alguns por muito tempo, outros em única apresentação. Geralmente participo de todos. Ora como produtora, ora como cenógrafa, figurinista, diretora ou assistente do diretor. Já fui roteirista e, confesso ter gostado muito dessa função. Mas, também por muitas e muitas vezes, fui atriz, tanto coadjuvante, como a heroína da história. Já fui a mocinha e, pasmem, também já fui a vilã. Sem contar as vezes em que fiquei na platéia, apenas assistindo ... como crítica ou mera expectadora.

Sem querer desviar do assunto principal, que é o palco, digo, a casa, expliquei tudo isso para melhor poder me fazer entender. Não querendo parodiar Silvio Caldas, mas, se "a vida é um palco iluminado...", então minha casa é minha vida. É onde nascem os meus roteiros. É onde paro, reflito e me inspiro. As paredes do meu quarto tenho-as como minhas testemunhas e quantas histórias elas têm pra contar... É lá que lavo minha alma, choro minhas perdas e também minha saudade. Mas, belas histórias de amor, certamente gostaram de testemunhar.

Gosto, de percorrer minha casa quando me encontro só; gosto de observar cada detalhe, cada quarto, cada canto. Parece que ela se alegra e demonstra de mim  gostar. Sinto-me acolhida, protegida e tranquila quando estou nos braços do meu lar. Cada peça que encontro pelo caminho, traz-me uma boa recordação. Somente boa, porque o que não me lembrar de algo bom, lá dentro não deixo ficar.

Na cozinha de minha casa faço brincando aquilo que mais gosto de fazer: cozinhar. Assim como nas coisas da vida, na minha comida, adoro inventar ingredientes, escolher temperos e temperaturas (frias ou quentes). Adoro criar, copiar ou apenas imaginar. O prazer do sucesso ao sentir que acertei mais uma vez é indescritível. Minha cozinha sempre foi testemunha de momentos felizes, de realização. Talvez, seja o local onde, mais vezes, me senti realizada.

É claro que minha casa também já foi testemunha das dores do meu aprendizado, mas sempre aguentou firme e, paciente, nunca perdeu a esperança de ver meu sorriso voltar.

Um dos momentos mais felizes de todos os meus dias é aquele em que chego da rua e abro a porta do meu lar. Vejo que seu aconchego está ali me esperando e, carinhoso, parece dizer: que bom que chegou, seja muito bem vinda! Entre, descanse, estou aqui pra lhe proteger. Você nunca estará só; sou seu chão, seu teto e, ao contrário de muitos, estarei sempre aqui a lhe esperar.

Sueli Benko

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6 de jun de 2012

Uma singela homenagem a Luciana


Lu querida,


Gostaria de encontrar as palavras exatas para exprimir o que lhe desejo neste momento, mas penso que elas não existem. Então, digo-lhe apenas o que penso sobre você e a sua vida. 


Eu, que a conheci no dia em que chegou a este mundo, acompanhei grande parte de sua infância e apenas perdi um pouco da sua adolescência, mas acredito ter chegado a recuperar o tempo distante, desde o momento que nos reencontramos há alguns anos atrás, e como observadora que sou, posso dizer que o sucesso na sua vida é indubitável! Não tem como não dar certo qualquer coisa que você venha a fazer. 


Seu senso de honestidade, independência, firmeza de propósito e personalidade marcante não deixam dúvida de que está pronta para brilhar. 


Nada acontece por acaso nesta vida e, apesar de todo cuidado que seus pais sempre tiveram consigo e de todo amor que lhe dedicaram, você sempre se mostrou firme no seu poder e na sua certeza de conseguir seus objetivos pelos seus próprios esforços. 


Trocou dias e noites pelo estudo, muitas vezes, agora colhe os frutos do seu investimento.


E eu aqui, pela imensa admiração que tenho por você, pelo seu caráter e, permita-me dizer, pelo orgulho que me permito sentir por ter acompanhado, mesmo de longe sua trajetória, venho até você, com muito amor (de tia, de mãe, de amiga), aplaudi-la de pé!


Parabéns, pequena grande mulher!


Você conseguiu!


Eu amo você!


Su

25 de mai de 2012

Nossos algozes



De nada adianta nos magoarmos com alguém por algo que esse alguém nos fez. Devemos sim é pensar muito bem no que vamos fazer com "esse algo" que nos fizeram, ou seja, a forma como vamos lidar com isso. Se ficarmos magoados, o problema será somente nosso! Nossas mágoas não atingem a ninguém a não ser nós mesmos.

Para aprender a perdoar é necessário que conheçamos os dissabores da vida. Sem eles, fica tudo muito fácil, mas ao mesmo tempo, insípido. Não se aprende com o que é fácil, porque se é fácil, significa que já foi aprendido.

Também, não há mérito nenhum em querer bem somente a quem nos faz o bem; isso é muito fácil. Devemos prestar atenção no "difícil", para que possamos torná-lo fácil, o mais rápido possível.

Assim sendo, benditos sejam os nossos algozes, pois são eles que proporcionam o nosso crescimento.

(Sueli Benko)

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3 de mai de 2012

Uma gota de orvalho



Com o outono, chegaram fortes ventos varrendo tudo que encontravam pela frente. Tais quais folhas secas que se desprendiam dos galhos pela fúria da ventania, foram meus pensamentos e desejos desprendendo-se de minha mente e de meu coração. Chegou a chuva e, assim como suas águas, lágrimas de saudade rolaram, limparam e purificaram meu coração, varrendo para longe, entre trancos e barrancos, a tua imagem e todas as tuas lembranças. Ao amanhecer, inocentes gotas de orvalho eram as únicas testemunhas que restaram da tempestade noturna.

Nenhuma folha seca ... 
                  Nenhuma saudade...
                                     Apenas a transparência de uma gota de orvalho

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26 de abr de 2012

Sensação estranha...



Sensação estranha a que me abraça. É um tal de desejar e não querer, sentir saudade, sem falta sentir, chamar teu nome, às vezes, gritar, mas não querer te ouvir. Dentre tudo que me envolve, há um misto de amor e raiva, de paz e inferno, de treva e luz. É no amor que te tenho, no inferno que te enxergo e na luz que te desejo. Há vontade de ficar, mesmo querendo fugir, vontade de gritar, mas opto por me calar. É assim que me sinto quando penso em ti, quando estou contigo ou quando não estou. E nesse labirinto de sentimentos, emoções, desejos e negações é que te procuro e me perco, e me procuro e então te encontro, pois também me roubas e me escondes dentro de ti. 

Sueli Benko

13 de abr de 2012

Falar alto incomoda alguém?



Sim, incomoda.

Pensei que somente eu me incomodasse, mas andei fazendo uma pesquisa e a maioria das pessoas que conheço incomodam-se com aquelas que não limitam a altura de sua voz ao conversar em locais públicos. Ou, pelo menos, em alguns locais públicos, como por exemplo, num restaurante, num elevador ou num transporte coletivo.

O problema não é somente a poluição sonora, mas essas pessoas não param para pensar que pode ter alguém nem um pouco interessado em conhecer sua história, ou o caso que têm a contar. Almoço todos os dias em restaurantes e considero o horário do almoço, um intervalo na minha rotina de trabalho, então não costumo e não gosto de falar sobre trabalho quando estou almoçando. Porém, muitas vezes sou obrigada a ficar ouvindo quem está na mesa ao lado, conversar sobre esse assunto o tempo todo (e em voz alta!). Como é  desagradável!

E quando entro no elevador? É raro o dia que não entram pessoas falando em voz alta, só que no elevador, geralmente estão falando mal de algum companheiro de trabalho (geralmente, o chefe...rs). Não dá outra, duas pessoas conversando num elevador, sempre é fofoca, ou então, estão contando alguma desgraça que tenha presenciado (não sei o que é pior). Aliás, amigos queridos do meu Brasil, aqui vai um pedido: “Não me contem as desgraças que vocês assistem por aí! Eu não quero saber! Sou abençoada por nunca presenciar essas coisas e quero continuar assim...”

E olha que nem vou falar do salão de cabeleireiro... rs.

Sou meio surda. Imagino quem tem 100% de audição e também não gosta de ficar perto de quem fala muito alto.  Afff....

Sueli Benko

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3 de abr de 2012

Aprender a Perder



Uma vez, escrevi num dos meus antigos blogs sobre “perdas”. Escrevi há tanto tempo,  que nem vou perder tempo procurando, mas lembro-me muito bem de haver dito que, desde muito criança, comecei a lidar com perdas.  Hoje, parei para pensar sobre isso. Acabo de perder mais uma.

De repente, tudo se aclara. Tantas perdas... E eu não havia me tocado. A razão só pode ser “aprender a perder”. Reconhecer que não somos donos de nada, então, na verdade, nada perdemos. Aprender a perder significa, nada mais, nada menos, que ”ACEITAR”.

Aceitar o que não pode ser mudado. Aceitar que” não mais ter”, não significa “perder”.

Tudo em nossa vida acontece em ciclos e todos os ciclos têm começo, meio e fim. O fim, muitas vezes, dói. Mas, somente dói porque não o aceitamos.

A lição, hoje, então, não é aprender a perder.

É, simplesmente, aprender a “ACEITAR”.

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21 de mar de 2012

Desejo de início de Outono


Que minha alma se espelhe no outono
e deixe seus sonhos dormirem tranquilos,
por todas as noites frias do inverno,
e que eles possam ser pacientes na espera,
para que possam deslumbrantes realizarem-se todos
na primeira manhã de sol da primavera.

(Sueli Benko)
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25 de fev de 2012

Gota d'água que transborda o copo



Uma gota d’água, por ser tão pequena, traz-nos a ilusória sensação de que não machuca. Mas, experimente ficar uns oito anos numa mesma posição, recebendo os pingos de uma gota d’água no mesmo local de sua pele...

A última gota caída dói mais que a penúltima e assim por diante, mas muitas vezes, temos a esperança de que a fonte venha a secar e que as gotas já não sejam de água, apenas de brisa. Então, vamos suportando uma a uma... incessantemente... O local pode estar ferido, mas passamos um remedinho e vamos ficando expostos... porque achamos que aquela água é a única que existe e julgamos que não podemos viver sem ela.

De repente, eis que chega aquela tal gota que, mesmo sendo do exato tamanho das outras, causa um choque tão grande que nos faz dar um pulo e dar um basta! É a chamada “gota d’água que transbordou o copo”.

Isso acontece em muitos setores de nossas vidas, ou seja, no social, profissional, amoroso, etc. Já recebi em minha vida, algumas dessas gotas fatídicas. Recentemente, caiu uma bem em cima do meu nariz.  Engraçado, não doeu (acho que o local já estava anestesiado, insensível, sei lá). Mas, chocou. Chocou tanto que pulei fora, de forma assustadoramente assustada!

E pude ver que há um oceano muito grande, com água abundante à minha volta. Mas devo confessar que, talvez por costume, e mesmo não desejando de forma alguma voltar a me posicionar no lugar de outrora, em alguns momentos sinto ainda muita saudade do toque daquela gota e fico olhando para o lugar onde ela continua a cair... (fora de mim).


Sueli Benko

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10 de fev de 2012

Flores e Pedras



Hoje, olhando para as belas flores do caminho,
lembro-me do tempo em que só havia pedras.
Olho mais atentamente e vejo que as pedras continuam lá.
Percebo, então, que o que mudou foi apenas a minha atenção.

Enquanto me encanto com as flores,
 não me atento às pedras,
mas é por elas que subo 
e que chego onde devo chegar.


Sueli Benko

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16 de jan de 2012

Sobre "crenças"


"Nenhuma religião, cultura, raça ou filosofia é dona de um caminho único. Acreditar que só existe um caminho e que todos os outros estão errados é um alicerce falso que promove ainda mais separação e dor. Muitas vezes nós adotamos as convicções dos outros ou de uma ideia que escutamos durante toda a nossa vida, mas que nunca realmente testamos. A convicção interior tem a ver com algo que questionamos, experimentamos em primeira mão, e descobrimos ser verdadeiro, ou seja, que funciona. Se quisermos ficar encurralados na estagnação, podemos continuar andando nessa corda bamba que mata nossa capacidade de crescimento, ao confinar nosssa vida a uma monotonia linear e uniforme."




(trecho do livro "Dançando o Sonho", de Jamie Sams)


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